“Esta é minha história. Aqui estão minhas recordações daqueles anos na China de Mao. É a história da minha família. É minha jornada, desde as lembranças mais remotas, passando pela descoberta da dança, até a vida no Ocidente. Os registros históricos podem ser outros, muita gente pode ter lembranças diferentes. Para mim, porém, os relatos são hoje tão verdadeiros como sempre foram. Neles estão os tesouros do meu coração”.
A história verídica do bailarino Li Cunxin é retratada em sua autobiografia de uma maneira magnífica. O autor relata a sua história de vida, da grande miséria e das dificuldades atravessadas pela sua família na China de Mao até o inesperado sucesso no ocidente, como um bailarino.
Li Cunxin era uma criança chinesa qualquer. Pobre, pertencente a uma família camponesa sem quaisquer expectativas de um futuro melhor, morava numa vila em condições precárias. Sobreviviam com pouco dinheiro e muito trabalho. Certo dia, porém, pessoas diferentes apareceram na escola. Eram os delegados culturais da Madame Mao que buscavam camponeses para denotar a visão artística de Mao para a China. Como um acaso do destino e sem nenhuma razão aparente, quando os delegados já estavam de saída, sua professora apontou-o e perguntou: “Que tal aquele dali?”
A partir daí, a vida de Li Cunxin começa a mudar. Deixa para trás sua vida de camponês para se dedicar ao balé, na Academia de Dança de Pequim, com a esperança de mudar a sua vida. Deixa para trás também o carinho de sua família – é impossível não sentir uma empatia ao ver que o autor abandona o seu porto seguro, a niang, sua mãe, e vai morar com outros jovens na barulhenta e povoada Pequim, atravessando momentos difíceis e desesperadores, mas não abandonando a vontade de seguir em frente e dar um novo rumo para sua vida.
A história é inspiradora – como um jovem camponês conseguiu, por um acaso do destino, se tornar um grande bailarino, reconhecido mundialmente? – e recomendo inteiramente a leitura. Envolve coragem, anseios e um amor materno impressionante. Sem exageros, o leitor sente na pele a susto e a tristeza do autor quando o mesmo já crescido, em sua primeira viagem aos EUA, olha o preço de um simples café e percebe que aquela quantia é equivalente a um ano inteiro de trabalho sofrido dos seus familiares.
Toda a narrativa é escrita de um modo bastante simples e fluído. O autor, ao narrar a história de sua vida, consegue prender o leitor com toda a propriedade, nos envolvendo em suas memórias de tal maneira que, quando percebermos, já estamos imersos em toda a trajetória de sua vida e carreira, da pobreza mais sofrível no noroeste da China ao estrelato no Ocidente.
Recomendo a obra para todos aqueles que desejam ler uma história inspiradora, sem grande floreios, exageros ou dramas desnecessários. A narrativa é impecável e mostra aonde cada ser humano pode chegar com o fruto dos seus esforços.

Histórias bem escritas e com poucos floreios, sempre preocupada em transmitir a realidade vivida pelo personagem me instigam.
Não gosto do tipo de texto que fica dando voltas tentando tornar a história mais interessante ou instigante do que realmente é.
Fica aí mais um livro que entra para a famosa lista “para ler”.